Inclusão do nome de Jaime Wright no Livro dos Heróis da Pátria chega à reta final

Projeto de Lei foi aprovado na Câmara Federal e seguiu para análise no Senado [...]

Fotos: Arquivo/Fundação 2 de Julho

Seguiu para análise no Senado, após aprovação em caráter conclusivo da Câmara Federal, o projeto de lei que determina a inscrição do nome do reverendo Jaime Wright (1927-1999) no Livro dos Heróis da Pátria. O livro reúne as biografias de mulheres e homens que contribuíram para a defesa da liberdade, em suas várias vertentes, no Brasil. Os nomes das heroínas da Guerra da Independência da Bahia (1822-1823), Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, ao lado do combatente João das Botas, foram incluídos em julho deste ano.

Feito de aço, o livro fica no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O processo para escolha dos nomes que figuram neste livro tramita no âmbito do Congresso Nacional. Hoje, 11, o projeto foi recebido pela Comissão de Constituição e Justiça para redação do texto final, cumprindo normas regulamentares.

Reconhecimento

O projeto de lei para a inclusão do nome do reverendo Jaime Wright foi apresentado em 10 de junho de 2015 pelo deputado Fábio Sousa (PSDB-GO). Em novembro deste ano, ele recebeu parecer favorável do relator, deputado Elizeu Dionizio (PSB-MS). Aprovado em caráter conclusivo, o projeto deve entrar em vigor, pois dificilmente nestes casos são apresentados recursos que o reencaminhe para decisão final da Câmara em plenário.

O reverendo Jaime Wright, pastor presibiteriano, nasceu em Curitiba em 12 de julho de 1927. Filho de missionários norte-americanos, era teólogo pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos (EUA). Veio em missão para a Bahia e depois seguiu para São Paulo.

O reverendo Jaime Wright deixou legado de coragem em defesa dos direitos fundamentais.

Em 1973, seu irmão Paulo Stuart Wright, que era deputado estadual em Santa Catarina, foi cassado e depois assassinado pelos órgãos de repressão do regime militar. Jaime Wright tornou-se um defensor dos direitos humanos no Brasil, inclusive participou do projeto Clamor, que defendeu perseguidos políticos na América Latina. Foi um dos participantes do projeto, que resultou no livro Brasil Nunca Mais. A obra, elaborada por Wright, dom Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel, auxiliados por uma equipe de pesquisadores, identificou torturadores que atuaram durante o regime militar a partir de documentos e depoimentos das vítimas.

Jaime Wright foi um dos idealizadores da Fundação 2 de Julho, entidade mantenedora do Colégio 2 de Julho e da Faculdade 2 de Julho. Participou também da organização da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), entidade que defende valores como o respeito entre diferentes credos. O reverendo faleceu em 1999, em Vitória, Espírito Santo.

Anualmente, a Fundação 2 de Julho realiza a Conferência Jaime Wright de Promotores da Paz e dos Direitos Humanos. A 14ª edição, ocorrida em novembro deste ano, teve como tema os 30 anos da Constituição Cidadã de 1988 – História, Memória e Futuro. Os conferencistas e vencedores do Prêmio Jaime Wright, nesta edição, foram o  sheik Ahmad Abdul Hameed, líder da comunidade islâmica na Bahia; o cônego da Arquidiocese de Salvador, padre José Carlos Santos;  a socióloga Eliana Belini Rolemberg; o reitor da Ufba, professor João Carlos Salles; o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e  a jornalista e escritora, Suzana Varjão.

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