Conferência Jaime Wright faz homenagem aos 30 anos da Constituição Federal

Evento contou com programação de palestras e oficinas, além da entrega do Prêmio Nacional Jaime Wright [...]

A 14ª edição da Conferência Jaime Wright de Promotores da Paz e dos Direitos Humanos, promovida pela Fundação 2 de Julho, e realizada ontem, quarta-feira, 7, foi marcada por palestras que ressaltaram a importância da democracia e também por momentos emocionantes. Bastante aplaudida, a professora Leda Jesuíno, conselheira da Fundação 2 de Julho e uma das mais proeminentes educadoras da Bahia, reencontrou um dos seus discípulos, o reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), professor João Carlos Salles, ex-aluno do Colégio 2 de Julho e um dos homenageados no evento.

Professora Leda Jesuíno, conselheira da Fundação 2 de Julho

Com o tema “30 anos da Constituição de 1988- História, Memória e Futuro”, o evento, que homenageia a memória do reverendo Jaime Wright, um incansável defensor dos princípios democráticos, incluiu, além das palestras, a realização de oficinas. “A Comissão Organizadora compreendeu que, em virtude das comemorações dos 30 anos da Constituição Federal de 1988, e em decorrência da importância deste documento para o funcionamento das instituições e seu impacto na vida dos cidadãos brasileiros, seria um  momento propício para dialogar em uma perspectiva  histórica, levando em consideração a memória e o futuro”, explica o professor Efson Lima, coordenador do Núcleo de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão , departamento que organiza a conferência.

O professor Efson Lima coordena o Núcleo de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho. departamento que organiza a conferência

A importância de apontar e defender direitos ganhou tamanha importância a ponto da Constituição Federal ter em seu primeiro capítulo a ênfase a estas questões como destacou o professor Marcos Baruch Portela, diretor geral da Fundação Dois de Julho, em sua saudação à conferência. “A Fundação Dois de julho mantém este espírito, pois, o Colégio 2 de Julho, que acaba de completar 91 anos, foi a primeira instituição de ensino particular a aceitar estudantes negros, judeus, muçulmanos e instituir turmas mistas, ou seja, homens e mulheres juntos no mesmo ambiente educacional”, destacou.

Diretor geral da Fundação Dois de Julho, o professor Marcos Baruch Portela destacou a importância dos direitos estabelecidos pela Constituição de 1988

Direitos

Além do professor João Carlos Santos, a mesa realizada na noite de ontem, mediada pelo professor Paulo Mascarenhas, coordenador do curso de Direito da F2J,  contou com a jornalista, ativista social e escritora, Suzana Varjão, e com o advogado e  fundador do Comitê pela Anistia e um dos coordenadores do projeto Brasil: Nunca Mais, Luiz Eduardo Greenhalg. “Lutamos muito para fazer a Constituição de 1988. Foi o melhor congresso que o Brasil já teve. De lá para cá só piorou”, destacou Greenhalg.

Em seu pronunciamento,  após ter destacado a luta de Jaime Wright contra a tortura e outras violências praticadas durante a ditadura militar, Greenhalg narrou a sua trajetória como um jovem de classe média, que duvidava das denúncias, até ter se tornado um dos mais conhecidos defensores de presos políticos no Brasil. “Tem até hoje gente defendendo a volta da ditadura militar. Não façam isso porque nós que a vivemos sabemos o quanto este momento foi terrível”, completou para uma plateia formada majoritariamente por estudantes de direito, administração, jornalismo e propaganda e marketing, que são os cursos oferecidos pela Faculdade 2 de Julho (F2J).  Ao lado do Colégio 2 de Julho, a F2J é  mantida pela Fundação Dois de Julho, promotora do evento.

Responsabilidade

Durante o seu pronunciamento, o professor João Carlos Salles destacou a sua emoção ao retornar ao espaço onde também funciona o Colégio 2 de Julho, de onde foi aluno, e a importância que a educação adquire diante de um contexto em que as liberdades e direitos estão sofrendo duros ataques no Brasil. De acordo com Salles, as universidades, como a que ele dirige, encontrarão novos desafios.

“A nossa tarefa não é panfletária. A nossa tarefa é a de construção de argumentação. Precisamos levar as pessoas a se voltarem aos fundamentos do argumento político que não é reproduzir posts do Facebook”, acrescentou. A jornalista Suzana Varjão fez uma apresentação sobre os riscos que se corre quando a comunicação social, especialmente o jornalismo, não está a serviço da desconstrução de violências. “O ambiente institucional que  cria uma ideia de extermínio lança seus ataques, não à toa, sobre o campo simbólico: as artes, a literatura e o jornalismo”, explicou ao mostrar dados de uma pesquisa que realizou sobre o discurso de estimulo à violência em órgãos de mídia.

Abertura             

Como palestrantes da mesa de abertura, realizada pela manhã,   a conferência recebeu o líder da Comunidade Islâmica na Bahia, sheikh Ahmad Abdul Hameed; o cônego da Arquidiocese de Salvador, padre José Carlos Santos e a socióloga e vice-presidente do Conselho Estadual de Fomento e Colaboração (Confoco-Bahia), Eliana Rolemberg.  O debate foi mediado pela professora Ana Angélica Marinho, coordenadora do Memorial Jaime Wright.

Todos os palestrantes, com trajetórias de defesa dos direitos humanos, em suas respectivas atuações profissionais e sociais, foram agraciados com o Prêmio Nacional Jaime Wright.  “O reverendo Jaime Wright foi um homem que defendeu, mesmo durante momentos difíceis, como a ditadura militar no Brasil, o respeito à liberdade. Enquanto uma instituição com tradição educacional  de 91 anos, a Dois de Julho perpetua essa filosofia aliada ao combate ao preconceito”, salienta o professor Marcos Baruch Portela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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